Esta instigante questão convidou-me a navegar nos mares dos relacionamentos amorosos, buscando compreender as mais diversas transformações que vem sofrendo os modelos de casamento, de família e de casal. Estes relacionamentos estão sendo redesenhados, diante dos apelos impostos pela vida moderna. Estamos no olho do furacão!
Aprendemos desde o séc. XII a viver o amor romântico, onde a primícia era a idealização do outro e a impossibilidade de viver o amor. O romantismo, a falta do outro, as dificuldades para se conseguir estar perto do amado, à busca da “cara metade”, aquela paixão que existia, onde o olhar era suficiente e nem precisava falar, preenchia o imaginário dos amantes.
No amor romântico, a motivação para a permanência no casamento, estava fundamentada nas expectativas sociais, na segurança econômica / financeira, na estabilidade.
Hoje, quando os homens sabem, assim como as mulheres, que cada qual pode gerar seu próprio sustento, que ambos buscam mais autonomia, que cada um sabe mais de seu desejo, que já existe um lugar mais igualitário entre homens e mulheres, vai se ganhando novas razões para se estar em parceria.
Cada vez mais salta aos nossos olhos a busca que as pessoas de modo geral estão fazendo pela gratificação emocional e, na maioria das vezes, a busca dessa satisfação traz uma exigência. Não se tolera a espera, a construção. A satisfação ganha uma cara líquida, provisória, fugaz e preferencialmente imediata. Para onde viajou o amor romântico?
Assistimos, também, que a manutenção do casamento, ou de qualquer outra forma de relação estável se dá, quando se cria a possibilidade de promover o bem-estar, a satisfação íntima, o crescimento e a liberdade.
Talvez possamos entender com isto, que o amor passou a ser mais exigente. Ganhou um lugar mais igualitário, com mais trocas afetivas, e mais independência.
Por outro lado, também, podemos pensar: se a busca é de liberdade, como se concilia isto com estabilidade?
Se a busca é pela satisfação pessoal, como caberá o amor pelo outro?
Na ausência do amor romântico, o que dará sentido as relações de homem e mulher?
O que surgirá no lugar do amor romântico, como fica nosso imaginário se já não sonhamos com Príncipes e Princesas?
Ao passarmos a olhar o outro por inteiro, sem idealizações, temos que prestar mais atenção às necessidades e desejos desse outro, porque não somos mais a única pessoa importante e nem tampouco ele(a) será para nós. Sabemos também que esta pessoa não estará mais lá para nos complementar.
Criar mais intimidade faz parte desse novo contexto, precisamos conversar mais, reconhecer e valorizar aspectos pessoais como generosidade, inteligência, humor e sensibilidade. O tempo dedicado a outras pessoas, as diversas outras atividades, às vezes é maior do que o dedicado para o parceiro(a), portanto, torna-se necessário fazer do tempo que se está junto o melhor tempo. É possível a amizade evoluir para o amor.
O amor exige esforço contínuo, por isso relações saudáveis e funcionais são fruto de dedicação diária.
Se as razões para se estar juntos hoje, é pela busca de uma vida mais prazerosa e mais funcional, se é pela busca do crescimento de ambos, se é através do outro que podemos desenvolver sentimentos mais humanos de respeito, solidariedade, compaixão, compreensão.Se a vida a dois pode nos trazer tantas coisas boas inclusive, ampliar nosso universo para relações mais abertas, onde podemos olhar para outras janelas, mas sofrendo a transformação do amor idealizado, pergunto: - Como será o novo jeito de amar? Será que encontraremos em uma única pessoa tudo que buscamos?
O amor romântico está fora de moda?
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