Mais uma vez trago para nossa reflexão um tema determinante nos cenários humanos - as conversações.
Paro sempre a pensar com que facilidade as pessoas se engajam em conversas geradoras de conflitos. Penso até, que estamos mais treinados para conversações conflituosas do que para conversações de compartilhamento.
Gosto muito de observar as pessoas conversando, seja em situações informais ou mais formais, e acabo me perguntando: realmente nós estamos abertos, somos receptivos, sabemos escutar as histórias que nos contam? Sabemos ser parceiro de conversas?
Dentre as escutas que tenho acompanhado, a mais clássica é aquela das pessoas que se engajam numa conversa, só para falar. Seu objetivo principal é manter a dominação sobre o outro, seu alvo é o controle e o poder.
Falam de tudo, de todos. Falam o tempo todo. Usam o espaço da conversa, como um simples passatempo, um jogo para reafirmar sua posição de dominação e de “Não é que eu tinha razão?” ou “Eu é que estava certo”.
Não criam oportunidade para trocas, saem esvaziados, mas não gratificados, não utilizaram aquele espaço de conversação para transformar seus conceitos, para validar seu comportamento, seus sentimentos e emoções. Desperdiçam a chance de resignificar pedaços de sua história, de escutar opiniões diferentes, aproveitar a experiência do outro e implantar o novo.
Ainda tem aquela situação terrível, que ao encontrarmos alguém para falar alguma coisa importante que estamos ultra, super necessitados de contar e começamos dizendo: “sabe, eu quero te contar o que aconteceu comigo”, seu parceiro de escuta, vira para você e diz: “ ihihih! Isso não é nada! O que aconteceu comigo foi muito pior, ou melhor”, e tira você de cena, ele não te escuta, ele não te respeita, você se sente sem importância e desqualificado. Estas são conversações geradoras de conflitos, de mal estar.
Conversas constrangedoras são aquelas que você se sente tão invadido e sem tempo para pensar em uma resposta, que você sai como se um “tsunami” tivesse te arrastado. Você se sente como se tivesse sido atacado, fica atônito por tanta falta de respeito, gerada nessa situação. São aquelas pessoas que chegam, em geral quando você não está sozinho e vem perguntando: nossa, eu soube que você está se separando, que aconteceu? Mudou de emprego? E quanto você está ganhando agora? Eu soube que você vendeu seu apto na praia, quem foi o louco que pagou tudo aquilo?
Outras conversas ocorrem como se você estivesse em um tribunal. A pessoa começa lhe perguntando sobre tudo. Você tem filhos, ah! Não. Por que, não quer ou não vem? Não pode esperar tanto tempo, é bom ter filhos cedo. Estas pessoas não querem de verdade saber sobre o outro, porque se tivesse empatia, compaixão, não colocariam as pessoas em situações delicadas, às vezes trazendo um assunto que pode estar tocando-a num lugar sensível, de dificuldades, de dor.
Neste caso, quem pergunta, não quer ouvir o outro, pois já trás a própria resposta. Isso é um tipo de desvalorização, em que quem sai da conversa sente-se inferior, ou incapaz, com sentimento de que algo não caiu bem.
Penso que cada um de nós é capaz de lembrar uma situação onde se sentiu mal durante ou após terminar uma conversa. Se você já foi vítima dessas ciladas, nada melhor do que olhar para si e perceber como você está se colocando como um interlocutor nas conversações.
Ouvir e acolher o outro genuinamente, interessar-se de fato pelo que o outro nos trás, é um ato de amor, de solidariedade, de companheirismo, de amizade, de aceitação.
Que tal começarmos a prestar mais atenção em nós mesmos e perceber se estamos sendo pólos de acolhimento, consideração pelo outro ou se estamos contribuindo para criarmos situações embaraçosas ou conflitantes.
Comece já, faça de você um ser atraente, querido, receptivo, experimente e veja como você será uma fonte de bem-estar para seu próximo.
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Oi tia querida!!!
ResponderExcluiradorei teu texto!!
parabéns
um bj enorme