Valsa dos desencantados

A vida cotidiana é inspiradora de inquietantes temas sobre o relacionamento humano.
As novelas, os filmes, a literatura, a conversa com alguém, nos reporta na maioria das vezes, às questões das parcerias.
Sempre há uma história a ser contada, onde o papel de protagonista ou de expectador, num cenário de alguma época do passado ou do presente se repete como se fosse a mais recente criação da humanidade.
“Homens que desvalorizam suas parceiras e mulheres que aceitam este tipo de violência”, é um tema tão antigo e tão atual como a reinvenção da roda.Tantas coisas as mulheres já conquistaram e os homens também, mas determinados padrões de comportamento permanecem inalterados.
Algumas mulheres protagonizam uma história oficial nos relacionamentos com seus parceiros onde sofrem limitações em seu potencial para pensar, criar, decidir e realizar a própria vida.
Estas mesmas mulheres são surpreendentes em determinadas áreas de atuação.Quando distanciadas dos olhos de seus parceiros, são mulheres determinadas, destemidas, inteligentes, mas que ao lado de seus “companheiros”, perdem o brilho, murcham, se deixam passar por “idiotas”, “distraídas”, “incapazes”, “sem inteligência”.
A frase preferida desses homens ao se referirem às suas mulheres, em especial quando estão falando delas ou se dirigindo a elas próprias, fica no segmento: “ela não vai conseguir”, “isto não é para você”. A todo minuto minam a capacidade que elas tem de pensarem por si próprias.
Elas vão se limitando tanto, que muitas vezes perdem seus desejos e até a confiança de que possam mesmo fazer algo sozinhas, deixando de buscar o novo, de se atualizarem. Quando são chamadas para um novo curso, para aprenderem a navegar na internet, para um trabalho fora de casa, ecoa em suas mentes a voz de seus parceiros: “isto não é para mim”, “é muito difícil”.
Aprisionam-se num padrão de comportamento repetitivo, queixoso, conflitante, onde numa sequência interminável, cada um contribui a seu modo, dando as respostas esperadas pelo outro, que desencadeiam outros estímulos esperados.
Instala-se aí a repetição, a insatisfação, onde homem e mulher convidam o outro a dançar a Valsa dos Desencantados, onde um espera a melhor oportunidade para dar o troco, pisando no pé do outro.Tem casais que passam a vida, dançando a Valsa dos Desencantados...
Por que alguns homens tem necessidade de desqualificar suas mulheres? Dentre tantas hipóteses podemos pensar em uma: se estas mulheres adquirirem capacidade para “pensar”, que novo lugar estes homens poderão ocupar no relacionamento? Será que esse não é um jeito de eles esconderem a dependência que tem de suas parceiras e o medo de ficar sozinhos?
Para dançar a Valsa dos Encantados, basta começar prestando atenção à música que se está ouvindo e qual é o ritmo que se está dançando. Para aprender a dançar junto comece distribuindo o peso do corpo.Valorizar o outro é sempre um bom começo!
Lembre-se que se a mulher é desqualificada pelo homem ou vice-versa, é porque ela ou ele aceita estar nesse lugar. Ninguém dança uma valsa sozinho.
Cada homem e cada mulher que vivenciam esta situação podem começar fazendo-se estas perguntas. -Para que eu preciso desqualificar minha parceira? Qual é a função disto na minha história? E a mulher, -Para que eu preciso aceitar este lugar?
Com certeza as respostas aparecerão, de acordo com a história que cada pessoa teceu em sua criação e ao longo de sua vida.
Às vezes, as pessoas procuram os parceiros que certamente lhes ajudarão a confirmar sua posição frente as suas crenças e seu lugar no mundo, para isso necessitam de alguém para jogarem, “Eu sou melhor do que você” – “Se não fosse por mim” -.
Se você é um homem ou uma mulher que vive desqualificando-se, que tal perceber qual é o jogo que vocês jogam e buscar um lugar mais funcional?
Viver Bem Faz Bem!

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