Não tenho dúvida nenhuma que a “vida faz e refaz”, que se ultrapassarmos uma porta fechada encontraremos muitas outras para serem abertas, mas se não a ultrapassarmos, esta mesma porta estará a nossa frente esperando por abri-la.
Isto sugere pensar, quantas vezes não temos coragem de enfrentar o novo, o diferente. Quantas vezes “pecamos” pela repetição.
Por anos e anos tenho ouvido muitas queixas de homens e mulheres a respeito de que o sexo não anda bem e, depois de ouvir atentamente o que aquela pessoa está me dizendo, percebo que o que ela quer me dizer é que a Sexualidade perdeu a amizade com a Afetividade.
Percebo que as pessoas vão fazendo caminhos fáceis e práticos, quando não, automáticos e mecânicos, para irem da casa ao trabalho, para irem da porta do elevador até os seus escritórios, para se alimentarem, para tomarem banho, para tomar “chopp” e para tantas outras coisas, inclusive no relacionamento sexual.
Você se lembra quando saiu a primeira vez com a moça ou rapaz que seu coração elegeu para ser o seu namorado(a)? Imagino que você tenha sido tocado por um turbilhão de sensações. O seu coração disparou, deu o sinal, você já não conseguia mais “pensar”, a não ser na pessoa amada e, todos os seus sentidos ficaram elásticos, de uma leveza, de uma excitação à flor da pele! Que antes mesmo de você ser tocado fisicamente, o olhar já era um toque...o perfume...a pele, os cinco sentidos se abriam para o novo, e o quanto bom é viver a nossa Sexualidade na alma e no corpo. Estávamos mergulhados, ligadíssimos a tudo e extremamente abertos à nossa sensibilidade e percepção. Que mágico... que delícia permanecer assim!
Mas, o que será que acontece que ao nos tornarmos mais íntimos, mais próximos, até resolvendo ficar junto porque já não suportamos a distância, depois de um tempo, não suportamos tanto a proximidade?
O que leva um casal a ir perdendo o gosto do mel, a sensação do toque, à vontade de estar juntos? Lógico que muitas coisas podem favorecer, mas uma delas me chama a atenção, é a habituação. Ficamos tão preocupados em cumprir a “tarefa” que a “tarefa” se torna desprazerosa, árdua, despendemos muito esforço, alguns me dizem que “dá um trabalho se relacionar!” Esquecemos que nosso relacionamento sexual começa na nossa capacidade de sermos afetivos, no acordar juntos e perguntar – Como passou a noite? Descansou? Teve bons sonhos? No nosso interesse genuíno pela pessoa que está ao nosso lado. A sexualidade é um ato construído, vamos construindo nosso encontro amoroso sexual, diariamente. Não o conseguimos nas prateleiras dos supermercados, dos “fast foods”, porque ainda, pertence à área do nosso coração.
Se abrirmos o caminho dos sentidos, o encontro ocorre de um jeito fácil, leve, mas se ligarmos o jeito automático, iremos em busca do alvo, do desempenho, da performance, mas perdemos as sensações.
Despertando os sentidos, acordamos a nossa alma e movimentamos nosso corpo, abrimos outras portas, de um Ser mais integrado.
SEXUALIDADE E AFETIVIDADE.
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